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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

As Travessuras de Tonhola - O leiteiro Zé de Freitas

Zé de Freitas era um matuto forte e quase sempre era chamado pela vizinhança para algum tipo de serviço braçal. Certa vez o dono de um sítio, já idoso, perguntou se ele seria capaz de tomar conta das cinco vacas que ele tinha, em troca do leite. Astuto, Zé de Freitas não temia empreitada, topou na hora. Sua mãe fez uns embornáis de pano de algodão cru, um pra cada garrafa, para proteger as garrafas de vidro com o leite no trajeto até a cidade; um percurso de pouco menos de uma légua, que ele fazia num pagaré velho do dono do sítio. Nas idas diárias até a cidade, ele sempre passava na casa da avó do amigo Tonhola, Dona Rica, que era potencial fregueza (a garrafa dela era separada das outras e o leite era de preferência, especial da vaca mimosa). Enquanto isso a prosa era colocada em dia com o amigo. Ele deixava pra passar na Dona Rica, já no final das entregas, naquele dia Tonhola quis saber o que ele fazia com as garrafas cheias que sobravam. Ele deu um sorriso maroto, ajeitou o corpo no banco de madeira na varanda dos fundos, como se fosse fazer um discurso, dado o entusiasmo que a satisfação em falar no assunto lhe provocava e explicou detalhadamente: "Sabe aquela casa de damas na esquina da rua tal, pois é, essa mesma, você sabe como sou apegado num rabo de saia, passo por lá sempre pra vender o leite, o que nesse caso é um mau negócio, elas são péssimas clientes, só que, por outro lado, isso aconteceu a primeira vez por acaso e depois elas também acabaram gostando e eu muito mais. Num belo dia estava eu com algumas garrafas ainda dependuradas no arreio do cavalo e fiquei por ali fazendo hora na casa das damas, como já fizera de outras vezes, ouvindo as conversas e me divertido com a alegria das meninas que davam altas risadas por qualquer motivo. Uma delas disse que ia tomar banho e rapaz, só de imaginar aquilo, me deu um tremelique no corpo todo, tipo um arrepio de dentro pra fora, eu já estava que não me aguentava mais dentro das calças, me levantei meio que como quem não quer nada, tentando disfarçar e fui ao seu encontro, o banheiro era um cubículo de madeira, tipo dois por dois, com cobertura também em tábuas velhas em escamas, e ficava mais ao fundo do terreno, separado do corpo da casa; no caminho, que era irregularmente calçado com pedaços de concreto de pisos demolidos, nem sei onde arrumei coragem, fiz a proposta meio que gaguejando e para minha surpresa foi aceita na hora, eu disse a ela bem de perto falando baixinho: deixa eu te ver tomar banho que te dou um litro de leite". Tonhola ouvia aquilo com os olhos esbugalhados e disfarçando o pau duro. E o amigo continuou: "Pois é, agora, sobrou leite, passo por lá assim por volta dessas horas e as meninas vão se revezando, só a mais velha ainda não deixou", ele disse.

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