Um amigo quis saber o que Tonhola andava aprontando e ele contou o aperreio que passou na semana anterior.
Naquela época os pães eram tipo bengala, com uns trinta centímetros de comprimento.
Em algumas casas os padeiros deixavam os pães embrulhados em papel de pão, nos parapeitos das janelas, logo ao amanhecer; as famílias ao acordar pegavam os pães e às vezes o leite também para o café da manhã. Tonhola estava passando a manhã já ia alta e numa das casas o pão ainda estava na janela, notou que pelo tamanho do pacote devia ser um pão só. Deu uma olhada na rua meio que deserta, fez de conta que não queria nada, voltou devagar manjando a casa, tudo quieto, viu que o portão de madeira só tinha um ferrolho mal encaixado e não pensou duas vezes, empurrou o portão, que pra sua sorte fez pouco barulho, passou a mão rapidamente no pão e saiu pela rua afora saboreando a iguaria. Não é por nada não: dois dias depois ele tentou pegar o pão novamente na mesma casa e a moça que trabalhava lá se amoitou e ficou esperando com a janela semiaberta; ela esperou ele abrir o portão e entrar e foi só o menino se aproximar do pão que ela escancarou a janela dando o maior grito; Tonhola quase se borrou nas calças com tamanho susto, mas deu tempo de pegar o pão e se escafeder. O susto foi tanto que daquela vez ele não conseguiu comer o pão todo, jogou o resto por cima de um muro num quintal com galinhas. Ficou a lição, pão em janelas dos outros, nunca mais.
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