Seguidores

Total de visualizações de página

domingo, 16 de agosto de 2026

As Travessuras de Tonhola - O pão na janela

Um amigo quis saber o que Tonhola andava aprontando e ele contou o aperreio que passou na semana anterior. Naquela época os pães eram tipo bengala, com uns trinta centímetros de comprimento. Em algumas casas os padeiros deixavam os pães embrulhados em papel de pão, nos parapeitos das janelas, logo ao amanhecer; as famílias ao acordar pegavam os pães e às vezes o leite também para o café da manhã. Tonhola estava passando a manhã já ia alta e numa das casas o pão ainda estava na janela, notou que pelo tamanho do pacote devia ser um pão só. Deu uma olhada na rua meio que deserta, fez de conta que não queria nada, voltou devagar manjando a casa, tudo quieto, viu que o portão de madeira só tinha um ferrolho mal encaixado e não pensou duas vezes, empurrou o portão, que pra sua sorte fez pouco barulho, passou a mão rapidamente no pão e saiu pela rua afora saboreando a iguaria. Não é por nada não: dois dias depois ele tentou pegar o pão novamente na mesma casa e a moça que trabalhava lá se amoitou e ficou esperando com a janela semiaberta; ela esperou ele abrir o portão e entrar e foi só o menino se aproximar do pão que ela escancarou a janela dando o maior grito; Tonhola quase se borrou nas calças com tamanho susto, mas deu tempo de pegar o pão e se escafeder. O susto foi tanto que daquela vez ele não conseguiu comer o pão todo, jogou o resto por cima de um muro num quintal com galinhas. Ficou a lição, pão em janelas dos outros, nunca mais.

As Travessuras de Tonhola - Cana caiana do vizinho

Pra não fazer barulho, a cana era cortada aos poucos com um canivete. As folhas do pé de cana eram arrancadas uma a uma ao sabor do vento, pra não fazer barulho. Foi assim que ele conseguiu algumas vezes buscar canas saborosas, bem na porta da cozinha do vizinho sem que ninguém notasse. Ou melhor, ele achava que niguém tinha notado. O vizinho percebera desde a primeira vez e já conhecia de véspera a fama de peralta do moleque. Fazia vista grossa: 'teria sido muito mais fácil se pedissem', pensava consigo. Tonhola fazia isso e voltava satisfeito, com ar de conquista realizada, seguindo as instruções do dono do canivete, um amigo muito sacana e bem mais velho, que ficava na esquina esperando na sombra, sempre apreesivo com a possibilidade do moleque, que ele sabia ser um tanto 'vinte e dois', perder ou esquecer o precioso canivete.

Lençóis limpos

Como é bom se deitar sobre um lençol novo, limpinho e cheiroso. Na vida também é assim. Precisamos vez ou outra de uma repaginada. Sair da mesmice. Deixar o conforto do sofá da sala e sair por aí. Visitando parques, jardins, montanhas, cachoeiras, sitios e praias. Ou mesmo o improviso de um piquenique no quintal. Respirar o ar livre é também trocar lençóis.

O Retorno

Há exatamente sete dias completei 66 anos. Recebemos alguns amigos no Sítio e comemoramos alguns aniversários de agosto além do meu. Coincidentemente 66 pessoas compareceram. Como presente retorno a esse blog, depois de alguns anos afastado. Pretendo retirar da gaveta alguns projetos que ficaram pelo tempo junto com esse meu afastamento. Muitos poemas, alguns contos e o maior, 'As Travessuras de Tonhola', que enfim sairá do prelo em breve. Nesse período inventei de implantar um Parque Agroflorestal em nosso Sítio AroeirA. Parque que tem me tomado boa parte do tempo e por outro lado me dado o maior prazer. No dia do meu aniversário, apresentei a toda a minha família o projeto de implantação do Parque. Um projeto audacioso, com alguns equipamentos turísticos, esculturais, lúdicos, míticos. Espero poder viver para ainda vê-lo se tornar realidade.

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Os 26 Estados

Não sei se rezo pra São Paulo ou pra Santa Catarina, busco o Espírito Santo. Busco madeiras no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, ou nos pinheiros do Paraná. Admiro o Rio de Janeiro, as águas das Alagoas, os Rios Grandes do Norte e do Sul. As Chapadas da Bahia e os Lençóis do Maranhão Busco guaraná no Amazonas, castanhas no Pará, açaí no Amapá e seu Acre sabor. Busco ouro nas Minas Gerais, esmeraldas em Goiás e no Tocantins seus minerais. Quem sabe até diamantes em Rondônia, ou Roraima. Curto as jangadas do Ceará, as cavernas do Piauí, os belos cenários da Paraíba, os recifes de Pernambuco e em Sergipe, o encontro do velho Chico com o mar. E no centro do País no imponente Planalto Central bem protegido está o Distrito Federal.

Apresentação

Aqui vos fala esse simpático engenheiro civil sexagenário, ainda não aposentado, mas que também ainda não virou motorista de Uber.

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

As Travessuras de Tonhola - Pelé em Ituiutaba

Pela primeira vez o futebol de Ituiutaba disputaria com a elite do fuebol mineiro. Foi criada a UTE - União Tijucana de Esportes. Foram vários jogos emocionantes no Estádio da Fazendinha no início da década de setenta. Tonhola e seus amigos da vizinhança, não perdiam um jogo. Naquele, um jogo especial, Tonhola foi com o seu tio e os dois primos. Faltava ainda mais de uma hora para o início da partida e já estavam todos acomodados na dura arquibancada de concreto, inquietos, ansiosos pela entrada dos times. A arquibancada era uma festa, o estádio todo era uma festa e estava lotadaço. Tinha gente por todo lado, até do lado de fora em cima das gaiolas dos caminhões de boi. Tudo para assistir o inesquecível amistoso contra o Santos, nada mais nada menos que o poderoso Santos de Pelé. E lá estava o rei desfilando com seu manto pelos gramados tijucanos. O Santos venceu só por 1x0, mas teve um lance do rei que marcou o jogo e ficou para sempre na memória dos amantes do futebol. O goleiro Cejas deu um balão e o rei, do outro lado do campo, na intermediária, dominou a bola com uma categoria de dar água na boca, de silenciar o estádio; foi simplesmente "o" lance, parecia que ele pegara a bola com a mão. Esse lance ficou para sempre na memória do moleque Tonhola que quando conta essa história aos amigos lembra que pelo Santos, além do Pelé e do goleiro Cejas, lembra também do Marinho Peres e do Jair da Costa. um ponteiro direito maluco e corredor. Pela UTE ele cita o lateral Durval, o nosso Pé de Pato, do saudoso zagueiraço Dejaniro e do craque Marron, que jogaram aquela histórica partida.