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segunda-feira, 30 de agosto de 2021

As Travessuras de Tonhola - Pelé em Ituiutaba

Pela primeira vez o futebol de Ituiutaba disputaria com a elite do fuebol mineiro. Foi criada a UTE - União Tijucana de Esportes. Foram vários jogos emocionantes no Estádio da Fazendinha no início da década de setenta. Tonhola e seus amigos da vizinhança, não perdiam um jogo. Naquele, um jogo especial, Tonhola foi com o seu tio e os dois primos. Faltava ainda mais de uma hora para o início da partida e já estavam todos acomodados na dura arquibancada de concreto, inquietos, ansiosos pela entrada dos times. A arquibancada era uma festa, o estádio todo era uma festa e estava lotadaço. Tinha gente por todo lado, até do lado de fora em cima das gaiolas dos caminhões de boi. Tudo para assistir o inesquecível amistoso contra o Santos, nada mais nada menos que o poderoso Santos de Pelé. E lá estava o rei desfilando com seu manto pelos gramados tijucanos. O Santos venceu só por 1x0, mas teve um lance do rei que marcou o jogo e ficou para sempre na memória dos amantes do futebol. O goleiro Cejas deu um balão e o rei, do outro lado do campo, na intermediária, dominou a bola com uma categoria de dar água na boca, de silenciar o estádio; foi simplesmente "o" lance, parecia que ele pegara a bola com a mão. Esse lance ficou para sempre na memória do moleque Tonhola que quando conta essa história aos amigos lembra que pelo Santos, além do Pelé e do goleiro Cejas, lembra também do Marinho Peres e do Jair da Costa. um ponteiro direito maluco e corredor. Pela UTE ele cita o lateral Durval, o nosso Pé de Pato, do saudoso zagueiraço Dejaniro e do craque Marron, que jogaram aquela histórica partida.

quarta-feira, 26 de maio de 2021

Palavras

Tenho a força da palavra. E o poder da síntese. Sou poeta. Exalto o bom, o bem e o belo.

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Atrás da porta

Atrás da porta muitas coisas podemos encontrar. Atrás da porta, pode estar o mundo. Caminhando pelo jardim, assim, do nada, vejo uma porta. Uma porta de madeira, linda, entalhada, com um portal magnífico aprumado para o vazio. Imagino o que não haverá do outro lado. Vejo sua fechadura feita por encomenda, sua maçaneta torneada com capricho. Seguro-a firme com a mão direita e abro aquela porta solta. Vocês nem imaginam o que não pode haver atrás de uma porta solta no meio de um jardim, na imaginação de um poeta. Eu achava que esse abril seria bom. Por isso, aqui do alto, diante dessa exuberante paisagem, eu olho para o nada. Á beira do riacho, empilho pedras buscando sua inércia. No meu tabuleiro, só me restam os bispos e alguns peões a proteger-me.

domingo, 2 de agosto de 2020

Fila

O sujeito chegou apressado,
viu o tamanho da fila e se apavorou.
Pegou a senha meio que sem querer;
quarenta na sua frente.
Tirou do bolso um bilhete
e confirmou o horário do ônibus;
menos de duas horas para sair.
O jeito é esperar, pensou.
Reparou um guri, o segundo da fila.
Reclamou qualquer coisa;
disseram-lhe da fila:
"segure sua senha e se aquiete".
A aflição lhe tomou de conta,
não se aguentou e foi até o guri::
"vinte paus pra trocar a senha".
O moleque se assustou.
Uma moça logo atrás,
ouviu e se adiantou:
"troco a minha por quinze".
O garoto não gostou
e disse: "tudo bem eu topo".
Pescoços foram espichados.
Alguns resmungos na fila.
O negócio foi fechado.
Ficou por isso mesmo,
ninguém foi prejudicado
por aquele ato indigesto
de corrupção pura.
O corrupto e o corruptor
se entenderam bem
para a indignação de todos
que engoliram quietos.
O sujeito foi atendido,
pagou suas contas e vazou.
O guri foi para o final da fila
sob condenatórios olhares
de grande parte da fila.
Onde se enquadra a moça
que tentou se corromper
corrompendo o corrupto?

domingo, 7 de junho de 2020

Poemas perdidos

Alguns poemas se perdem
eles brotam fora de hora.
Um bom tempo depois
podem voltar nos sonhos.

Guinada

Foi bom saber
que aquele moço engomadinho
que influencia milhões
deu uma guinada na vida.

Na entrevista
o engomadinho não se posicionou
nem para o lado do que foi pra Paris,
nem daquele que prega o Estado mínimo,
preferiu o conforto e o equilíbrio do muro.

Já imaginou um país como o nosso sem o Estado?
Quem iria tomar conta de nossas águas limpas e sujas,
de nossas fontes de energia,
de nosso imenso e rico subsolo,
do pulmão do mundo?
Quem iria zelar pela ciência, educação,
saúde e segurança de todos
e não somente dos que podem pagar?

Enquanto a direita pune,
apedreja, massacra, estraga,
pra conservar o seu mundo como está,
a esquerda vibra, canta, planta,
pulsa, pula, diverte,
faz arte, faz canções,
produz, faz girar o mundo
e luta para transformá-lo num lugar melhor para todos.

Enquanto a direita se veste de verde e amarelo da boca pra fora
a esquerda vibra e chega a chorar quando ouve o hino nacional.

Enquanto a direita desdenha e menospreza a ciência e a morte
a esquerda respeita e acredita e tem fé na vida
enquanto houver um fio de esperança,
o última que morre.

Enquanto a esquerda não enxerga fronteiras,
pois somos todos países irmãos,
a direita prega nosso país acima de tudo,
venera a bandeira de outro país
e ainda usa o nome d'Ele em vão... acima de todos.

Falsos profetas usam a religião,
abusam da fé do homem,
vendem feijões e lenços ungidos,
mentem e prometem milagres
que não conseguirão cumprir,
em busca de riqueza e poder.
A fé do homem exige respeito.

As igrejas precisam rever seus conceitos.

Vi belas igrejas cercadas por grades
para protegê-la do homem,
o mesmo homem que ela deveria sim:
proteger e apoiar.

"A economia não pode parar", dizem.
O mercado é um monstro.
Ele cria monstros
que vomitam frases assim
e as priorizam
acima da saúde e da vida.

O monstro os alimentou
com uma educação de merda
e os soltaram para a vida
sem saber quem foi Getúlio,
quem dirá Brizola;
sem saber quem foi Noel,
quem dirá Taiguara.

Sabemos que são minoria,
mas não podem ser desprezados,
precisamos enfrentá-los
com a força da palavra
e a voz da razão,
antes que o estrago aumente.

Hoje eles nos desrespeitam nas redes,
amanhã será nas ruas
e depois em nossas casas.

A direita fala em armas,
a esquerda em amor e livros.

Apesar de tudo isso:
precisamos conviver com eles.
Por mais duro que seja,
alguns são parte de nós:
são vizinhos antigos,
colegas de trabalho,
amigos de infância,
irmãos, tios e primos.

Com opiniões diferentes,
mas juntos em comunhão:
Democracia!

A política está em nós
não existe velha ou nova,
existe: a política.
Nela, ninguém faz nada sozinho,
não existem mitos
nem salvadores da pátria.

Ninguém nasce racista
ninguém nasce homofóbico,
ninguém nasce xenofóbico,
ninguém nasce com ódio,
ninguém nasce com nojo.
O mal está no homem.
O mal é coisa do homem.

Nenhum grupo pode ser considerado
menor que o outro.
Somos todos iguais.

Precisamos educar nossas crianças.
Falar com elas.
Nós que as formamos.
Crianças em isolamento
são incompreendidas.
A dor reprimida cria monstros ferozes.

Negros, ricos, pobres, índios, gays,
nordestinos e todas as minorias
precisam ser respeitadas.
"Bicha também é gente".
Li isso num viaduto
a primeira vez que tive em São Paulo
no início dos anos oitenta.

Respeito.

A igualdade de gênero,
que apavora as gerações
não tem nada de pavor:
É só aceitar que homens e mulheres
devem ter os mesmos direitos e deveres.
A igualdade entre os sexos é um direito humano,
a igualdade entre os gêneros também,
com todas as suas variações.

Foi preciso uma pandemia com essas proporções
para muitos entenderem e aceitarem
a importância do nosso Sistema Único de Saúde.
Infelizmente, muitos ainda sentirão o peso da dor da perda.
A ciência dará o seu recado e trará o elixir.
Depois... o mundo será outro.

domingo, 17 de maio de 2020

O amor e o ódio

Que todos possam ser amados
e se lembrem disso
antes de saírem armados.

Que todos se amem
e façam mais vezes o gesto universal
de respeito e veneração
juntando as palmas das mãos:

— Amém!