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quinta-feira, 31 de março de 2016

As Travessuras de Tonhola - Sorveteria Columbia

Sorveteria Columbia, era o nome do bar onde se fabricava um sorvete e picolé de creme, cujo sabor era único.

Para o picolé eram duas formas, uma de formato redondo e outro quadrado com o pauzinho de madeira.

Uma vez, Tonhola foi comprar um picolé e o atendente estava sozinho no balcão com outros clientes e disse ao menino, que já lhe era conhecido, entre e pegue você mesmo.

Tonhola entrou e ao abrir a tampa de vidro do balcão frigorífico, notou que um dos picolés redondos estava sem pauzinho. Alertou o atendente que numa exclamação de culpa, disse que ele poderia pegar aquele para chupar, não precisaria pagar.

No outro dia, com o atendente ocupado, a mesma coisa, pode entrar e pegar o picolé, tem outro sem pauzinho aqui, pode pegar pra você de novo, só que aquele não estava sem pauzinho, Tonhola quebrou o pauzinho de propósito.

Tonhola chupou alguns outros mais depois daquilo, da mesma forma.

quarta-feira, 30 de março de 2016

As Travessuras de Tonhola - Pensão de Monte Alegre

Tonhola foi numa outra viagem até a cidade de Monte Alegre, uma das mais antigas da região, um pouco além do Trevão também para participar de uma outra campanha.

Dessa vez, por ser mais longe, saíram de manhã bem cedo.

A viagem foi muito boa. Aquele trecho com buracos na estrada não existia mais, já haviam sido feitos os reparos, tá certo que de forma improvisada, mas buracos não tinham mais.

Chegaram, o carro foi estacionado na praça da cidade e as orientações foram passadas aos três garotos que se esparramaram um para cada lado com o compromisso de se encontrarem tal hora na pensão em frente à praça, onde almoçariam.

Cada um, de posse de seu material, saiu de casa em casa oferecendo os adesivos e divulgando a campanha. O tratamento que receberam daquela vez, foi bem melhor que o do Trevão. Mesmo as pessoas não comprando, ficavam atentas ao motivo da campanha e tratavam bem os meninos, ofereciam água e alguns até os entusiasmavam a seguir adiante, vai lá no fulano que ele contribui, diziam.

Na hora marcada, encontraram-se famintos na pensão para o tão aguardado almoço. A comida era caseira, muito bem preparada, inesquecível e tinha um suco de graviola que fez a diferença no almoço. Os meninos não conheciam e adoraram o refrescante suco natural.

Continuaram com a campanha até o meio da tarde, precisavam voltar antes do escurecer. A campanha foi melhor dessa vez, arrecadaram mais.

terça-feira, 29 de março de 2016

As Travessuras de Tonhola - Adesivos no Trevão

O convite feito a Tonhola e os outros dois colegas foi para ajudar numa campanha que se iniciava. A tarefa deles era oferecer adesivos com a estampa da campanha para serem fixados nos vidros dos carros. O Trevão ficava no cruzamento das duas estradas principais da região, uma norte-sul e outra leste-oeste, era o cruzamento de maior movimento da região.

Não foi de muito sucesso a empreitada.

A maioria dos carros que paravam para os serviços no posto de gasolina e no restaurante, faziam cara feia para os meninos e não compravam nada. Muitos eram até grossos e nem deixavam eles terminarem de explicar do que se tratava a campanha. Foi tempo perdido. Um insucesso. Para a campanha, mas não para os meninos. Eles estavam mais era se divertindo, apesar das broncas que levavam, principalmente das madames, as esposas dos que viajavam em família, para espanto dos meninos.

Somente alguns caminhoneiros contribuíram com a campanha e permitiram a colagem dos adesivos em seus caminhões.

No final não haviam arrecadado quase nada, mal deu para o lanche, mas divulgaram a campanha.

Ficaram de voltar mais vezes.

segunda-feira, 28 de março de 2016

As Travessuras de Tonhola - A Primeira Viagem

A primeira viagem de Tonhola foi de fusca.

Ele fora convidado com mais dois amigos e participar de uma campanha num local de grande movimento de veículos, não muito distante da cidade.

Almoçaram mais cedo naquele dia e partiram com o compromisso de voltarem até o final da tarde. O motorista era um membro da paróquia local, amigo de Dona Rica.

Eles não sabiam direito o que teriam que fazer, mas foram animados. Animados com a viagem, com o novo, com o que veriam pela frente, tudo era novidade. Pararam num ponto na beira da estrada para chupar abacaxi, fruta da hora. Admiraram pelo caminho as lavouras de milho e de algodão que se perdiam de vista na distância. Passaram por um trecho delicado da estrada, com muitos buracos, os carros passavam devagar em ziguezague escolhendo os melhores caminhos. Algumas vezes o fusquinha chegou a arranhar o soalho no asfalto, tamanho os buracos, por maior que tenha sido os cuidados do motorista, foi uma passagem tensa. Alguns carros aguardavam na beira da estrada por socorro com os pneus estourados.

Daquela vez, deu tudo certo, cumpriram as tarefas determinadas e voltaram um pouco antes do horário previsto, devido o estado da estrada.

domingo, 27 de março de 2016

As Travessuras de Tonhola - Caminhada Ecológica

A professora de Tonhola convocou os alunos para uma caminhada ecológica.

A caminhada seria no sábado pela manhã com saída do pátio da escola. Era para cada um levar o seu lanche e uma garrafa com água, suco ou refrigerante.

A criançada adorava aquele tipo de evento. Saíram caminhando pelas ruas, em blocos, pela calçada, até a avenida que margeava o córrego que atravessa a cidade. Seguiram até o final da avenida e se adentraram na mata no final da rua. Por cada bicho ou planta que passavam a professora perguntava se alguém poderia dizer o nome. Dos bichos, quase todos sabiam, até mesmo o nome de quase todos os pássaros, mas o nome das plantas, só os alunos que vinham da roça, sabiam alguma coisa. Para todos foi um aprendizado aquele passeio, cansativo, mas muito útil, todos aprendiam mais sobre os animais, as plantas. Também aprendiam mais sobre os colegas e o convívio com eles e os professores. Antes do meio dia já estavam todos de volta à escola.

As Travessuras de Tonhola - Susto no Ribeirão

No acampamento daquele episódio anterior, teve uma passagem que marcaria para sempre a vida de Tonhola.

Foi o susto no ribeirão.

O poço que se formava na curva depois da queda d'água onde a molecada se divertia nadando, não era muito grande, mas tinha profundidade o bastante para encobrir um adulto.

A moçada do acampamento se divertia no poço todos os dias no final da tarde, depois de concluídas as tarefas do dia. Os que sabiam nadar, aproveitavam, os que não sabiam, aproveitavam também, a seu modo, se divertindo na parte rasa do poço. Só que menino dessa idade, já viu, cada um quer ser mais que o outro, brincadeira que acabou dando no susto que o nosso herói se tornou vítima: um dizia ao outro, você não tem coragem, eu tenho, você não vai, eu vou, e um ia, e outro ia, e outro não ia e chegou a vez de Tonhola e ele não foi, passou a vez de todos e de novo ele não foi, não tinha coragem de atravessar o ribeirão como a maioria fazia; um dos monitores da turma contrária à de Tonhola, ao saber que ele foi o único a não atravessar o poço, avisou aos colegas que insistissem para ele ir, que assim que ele entrasse no poço tentando atravessá-lo ele próprio ia num mergulho mais profundo dar aquela ajudazinha; insistiram tanto, que Tonhola se encheu de coragem e resolveu atravessar o poço a nado; toda a parte mais profunda do poço dava em torno de umas dez braçadas a travessia, muito para quem não sabia nadar, mesmo assim, cheio de coragem ele se atirou na água e foi rumo à outra margem; quando estava quase no meio do poço, o monitor, que era um bom nadador, mergulhou e foi no sentido transversal de encontro ao assustado Tonhola, que mesmo em sua concentração total no tremendo esforço para efetuar as desajeitadas braçadas, percebeu quando alguém se atirou nágua, justo naquele sacrificante momento, o que é claro, só aumentou o seu desespero; o menino entrou em pânico antes do monitor alcançá-lo para a triste brincadeira, parou com as braçadas e tentou buscar o fundo do poço e nada de fundo alcançou, bebeu água; os meninos que acompanhavam a aventura do lado de fora, como uma brincadeira, se assustaram, alguns entraram na água para ajudar ao perceberem que o negócio estava ficando sério e que o menino estava mesmo era se afogando e dando braçadas e coices e bebendo água naqueles segundos de pavor; o monitor alcançou a perna de Tonhola, não para assustá-lo como era sua intenção inicial e sim para salvá-lo; tentou puxá-lo sem sucesso, o susto foi grande e não era mais só do afogado, todos ficaram muito assustados; quando o monitor percebeu que aquilo não era mais uma brincadeira e que o menino estava mesmo se afogando, deu um jeito de arrastá-lo para fora d'água com a ajuda dos colegas que entraram no poço, os demais assistiram a tudo do lado de fora e ficaram muito sem graça com o que tinham feito. Tonhola saiu branco da água, chorando apavorado e quando deu por si ainda chorando, gritou aos berros xingando todos. Passado o susto, depois do menino restabelecido, caíram na gargalhada. Ufa! Aliviante!

Aquele susto marcou Tonhola para o resto da vida. Ele não mais aprendeu a nadar.

sexta-feira, 25 de março de 2016

As Travessuras de Tonhola - Piquenique no Cerrado

Tonhola certa vez pegou um resfriado muito forte. Dona Rica fez de tudo para o menino sarar, xarope de farmácia não adiantou, chás caseiros, fez o menino engolir gema de ovo de galinha; feche o olho, tampe o nariz e coloque a colher na boca, bem no fundo e engole de uma vez, ela dizia, e o moleque engolia as gemas inteiras, mas nada o fazia melhorar da tosse, da gripe até que ele melhorou, mas da tosse.

Uma vez Dona Rica ouvira de uma amiga, que tinha um dos filhos com problemas respiratórios, ela quase todas as semanas pegava a filharada, eram quatro além do que tinha problemas, organizava um piquenique para entusiasmá-los e saia bem de madrugada, antes do dia clarear para fazê-los caminhar respirando o ar da madrugada que era um santo remédio.

Pois Dona Rica organizou um piquenique. Falou com o filho Alfredo que deixou os netos Aramis e Aroldo dormirem na casa dela naquela noite. Preparou o Tonhola e saíram bem de madrugada com o céu ainda escuro caminhando até fora da cidade. Encontraram uma árvore frondosa e ali instalaram o piquenique. Dona Rica estendeu a toalha com a ajuda dos netos e colocou a cesta com os lanches no meio. Todos estavam muito alegres. A bronca por acordarem ainda de madrugada, foi passando ao longo da caminhada e o bom humor que o ar matinal provoca tomou conta de todos. Tudo no caminho lhes era motivo para piadas e risos. Tonhola nem se lembrava da tosse. Reunidos sobre a toalha esparramada na grama, com o orvalho protegido pela copa da árvore, saborearam o delicioso lanche que fora preparado na véspera com carinho.

Tonhola demorou alguns dias ainda para se curar de todo da tosse, mas aquele piquenique, ele nunca mais esqueceu.