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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

As Travessuras de Tonhola - A Porta do Tabaris

Joacir, por ser o mais velho da turma e já familiarizado com as casas do meretrício, quis dar uma de bonzinho e compensar pelas peraltices que já tinha aprontado com os amigos, não só com o Tonhola no caso da bicicleta, mas com todos os demais. Para tanto, combinou de levá-los à zona.

A princípio Tonhola não queria ir, mas, pensou na gozação que enfrentaria depois entre eles, se fosse o único a ficar de fora, e acabou topando. Disse para a avó que iriam numa festa na casa de um menino da escola.

Na zona tinha uma boate com um letreiro iluminado na vertical destacando o nome: Tabaris. Passavam os garotos pela rua, com medo da polícia aparecer e terem de sair correndo dali, quando se aproximando da porta da boate, um corre corre aconteceu e muitos homens em disparada saíram apressados da boate. Os meninos voltaram para trás e correram até um ponto seguro, distante o bastante onde podiam respirar e observar de longe o que tinha acontecido. Souberam por um dos homens que vinha pela rua que um bêbado lá dentro tirou de uma faca e partiu para cima de outro, mas que foi contido a tempo pela turma do deixa disso e nada aconteceu. Só o susto. Os meninos foram embora e combinaram de voltar outro dia.

Aquela boate, nunca mais.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

As Travessuras de Tonhola - Vizinha Safada

Era uma safada a mulher do soldado.

Próximo à casa de Dona Rica foram construídas no mesmo lote, três casas pequenas geminadas, todas com saída por um corredor estreito até a rua.

Foram morar numa dessas casas um soldado com a esposa. Eles não tinham filhos e vieram transferidos de outra cidade.

O soldado trabalhava o dia todo e a esposa ficava em casa. Ela era uma morena bonita e fogosa que usava umas roupas provocantes com os peitos estufados e apertados à mostra.

Em pouco tempo a mulher do soldado ficou conhecida da vizinhança. Era motivo de prosa certa entre a turma de Tonhola. O Joacir, o Napoleão e até o Erasmo faziam comentários sobre a morena.

Um dia, Tonhola combinou com os amigos de ir ao cinema, ficaram de se encontrar na bilheteria. Tonhola se arrumou e saiu todo engomado e perfumado de casa. No caminho, encontrou com a mulher do soldado na esquina, já era noite e ela se aproximou e com a voz toda manhosa fez algumas piadas com ele. Quis saber onde ele estava indo daquele jeito, se ia encontrar com a namorada e foi se aproximando e pegou no braço do menino que àquela altura já se tremia todo dentro das calças. Ele só conseguia pensar no soldado chegando e vendo os dois daquele jeito naquela prosa. Aquilo não estava certo, de um salto, se encheu de coragem e empurrou o braço dela e a deixou falando sozinha, disse que estava com pressa e se mandou. Pela rua, apressado, foi embora com um tiquinho de arrependimento, podia ter aproveitado mais.

Depois ficou quieto, daquela vez, não teve coragem de contar aos amigos.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

As Travessuras de Tonhola - A Faxineira do Sobrado

O colega traíra de Tonhola, Joacir, que trabalhava na mercearia, notou que passados alguns meses, a presepada da bicicleta sem freios já havia sido deixada de lado. Dona Rica pediu ao neto que fosse até a mercearia buscar alguns produtos.

Dessa vez Joacir estava na loja trabalhando, empilhando produtos nas prateleiras com outro colega de serviço. Tonhola disse a que fora e o funcionário, mais antigo na casa, tomou a lista e foi separar os produtos. Enquanto isso, Joacir chamou Tonhola para saírem um pouco. Ele ficou apreensivo, mas se deixou levar e já do lado de fora - o que foi? Perguntou curioso, espere um pouco, Joacir sabia que quase todos os dias naquele horário pela manhã, a empregada que trabalhava no sobrado do outro lado da rua, limpava a sacada. A sacada tinha uma mureta com grades na parte de baixo e um peitoril grosso de concreto na parte superior, tudo revestido com um azulejo amarelo, muito feio por sinal. Pronto, lá vem ela, fique olhando, a faxineira parecia não perceber, ou, o que parecia mais provável, fazia de propósito para assanhar os meninos. Agachada na sacada e de saias, abria as pernas toda distraída enquanto esfregava os azulejos, os meninos embaixo viam e admiravam aqueles fundos. Mesmo com a distância, era a visão. Joacir se ria todo da cara de estupefação que o pobre do Tonhola fez.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

As Travessuras de Tonhola - A Freada da Kombi

Um dia de domingo Alfredo, o filho de Dona Rica, que era fiscal da prefeitura, pai de Aramis e Aroldo, os dois filhos que não gostavam do Tonhola, apareceu bem cedo numa Kombi com um amigo, convidando-o para uma pescaria.

Coisa rara. Era a primeira vez que aquilo acontecia. Dona Rica concordou de pronto. Arrumou o moleque, fez várias recomendações e deixou que fossem ao passeio. Faria bem aos meninos e a ela também, já imaginou? Um domingo inteiro sem se preocupar com o neto?

Já estava tudo arrumado na Kombi, levavam pão, refrigerantes e latas de sardinhas. Hummm, pão com sardinha! A Kombi estava sem os bancos intermediários, os três meninos iam no banco de trás e no espaço do meio ficavam as tralhas de pesca e também alguns rolos de arame farpado que levavam de encomenda para a fazenda onde iam pescar.

Antes mesmo de saírem da cidade, numa esquina, um carro veio em velocidade e obrigou o motorista da Kombi a dar uma freada brusca. Não chegaram a bater, mas discutiram um bocado, sem saírem de seus carros e cada um seguiu seu caminho. O motorista da Kombi foi esbravejando caminho a fora, dirigindo com mais cuidado.

No instante da freada, Tonhola estava por puro acaso e sorte, segurando no braço de alavanca que abre o vidro da janela da Kombi, na outra extremidade do banco estava o Aramis, o menino maior que também deu um jeito e se segurou, mas o garoto do meio era o Aroldo, o filho mais novo, que não tinha onde se segurar e foi jogado para frente indo bater direto com os joelhos nos rolos de arame farpado. Coitado. Foram cortes pequenos, mas o moleque se machucou todo e nem queria ir mais pescar. Mas foi.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

As Travessuras de Tonhola - O Primeiro Livro

O primeiro livro que Tonhola ganhou foi o de uma estorinha que tinha um avião na capa.

Era um livro colorido e a capa em sua parte superior, tinha o recorte concordando com as robustas formas do aviãozinho.

O livro fora um presente que a escola distribuía aos alunos como forma de incentivar a leitura, para gostar de ler.

Tonhola gostou do presente. A magia de virar a página e descobrir em cada uma delas um desenho novo do aviãozinho o fascinou.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

As Travessuras de Tonhola - Sua Mãe Foi Uma Ótima Aluna

Pelo visto no episódio anterior, deu para se notar que nosso amigo Tonhola não era lá o que pode se dizer de um garoto muito esperto.

Na escola, até que ele era um bom aluno, querido pelos professores, mas tirava péssimas notas no procedimento.

Algumas aulas ele não suportava e sua maneira de demonstrar isso, sem que o professor o importunasse era desenhando.

Só que um belo dia, numa dessas aulas, distraído que estava, quase já concluindo uma paisagem rural numa das folhas de seu caderno, a professora o surpreendeu com um tremendo puxão de orelhas: "sua mãe foi uma ótima aluna".

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

As Travessuras de Tonhola - O Litro de Uísque

Um dia Dona Rica recebeu um recado para dar um pulo na mercearia, a mesma da bicicleta cargueira, e buscar um presente para o seu filho, que, lembremos, era fiscal da prefeitura.

Compenetrada com seus afazeres, ela esqueceu por completo do recado. Alguns dias depois ela se lembrou e chamou o neto para ir correndo lá buscar o presente, antes que seu filho aparecesse por ali para buscar.

Tonhola foi, torcendo para que seu colega traíra Joacir, que ainda lá trabalhava, tivesse saído para alguma entrega. Menos mal, o colega não estava. Procurou o dono da mercearia e recebeu a encomenda para o seu tio.

O presente era uma caixa com um litro de uísque. O dono da mercearia o orientou de como ele devia segurar a caixa, presa ao corpo, com a mão firme assim, para que nada acontecesse. Embrulhou num papel de pão e o despachou, pronto, pode ir.

Tonhola saiu rua afora com o pacote preso ao corpo conforme a orientação. Só que, distraído feito uma toupeira, o menino seguiu pela calçada indo pela sombra. No meio do caminho tinha uma calçada em ladrilho hidráulico com desenhos coloridos que se destacava das demais. O menino se distraiu com os desenhos da calçada e andando muito próximo ao muro, bateu com o braço numa saliência da alvenaria, bem na divisa onde terminava a calçada colorida e a outra em cimentado que se iniciava. A caixa de uísque, tão recomendada, foi ao chão. O líquido se escorreu entre os seus pés, mas o pacote ficou intacto na forma da caixa com o papel de embrulho todo molhado. Ele se abaixou, pegou a caixa, balançou um pouco para se certificar de que o líquido se acabara, retirou o molhado papel do embrulho e seguiu com a caixa, bonita, novinha, abraçada ao corpo com a mão firme como o dono da mercearia recomendara.