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terça-feira, 25 de agosto de 2015

Crise hidrica

Os ventos de agosto empoeiram a cidade. A secura do ar provoca toalhas molhadas e até mesmo bacias d'água ao lado das camas nas noites tijucanas. Alguns têm umidificadores. Durante os dias a economia de água em afazeres antes corriqueiros salta aos olhos. Nada de lavar calçadas, carros como antes. Em algumas cidades estão se virando com menos da metade da água consumida antes. O que virá depois, ninguém pode prever. Os hábitos estão mudando, forçadamente.
A continuar assim um êxodo inverso levará moradores a deixar as cidades grandes de volta ao interior.

domingo, 5 de julho de 2015

Manteiga

A fazendeira e o canto de minas
se encontraram na prateleira:
- O que faz essa caipira aqui no meu canto?
- Quem disse que é seu canto?
- Quem decide é o cliente.
- Lá vem uma dona de casa.
- Quer apostar quem sai primeiro?

domingo, 14 de junho de 2015

Sesta

Moramos no segundo andar. Ouço alto uma música caipira que rola numa casa vizinha. Um disco do Milionário e José Rico em sua fase mais antiga animando uma churrascada. Divirtam-se.
Certamente alguns vizinhos chatos mais acima devem estar a reclamar que a música os incomoda a sesta.
Nunca fui de deitar após as refeições. Quando criança meu pai quando via um dos filhos deitado após as refeições indagava se estava doente.
Hoje, depois de anos de estresse, entendo que alguns poucos minutos de cochilo após as refeições são benéficos.
Deixemos o Milionário e José Rico tocar.
Milionário que nos deixou a pouco tempo depois de anos cantando pelo Brasil inteiro. Até no Japão eles cantaram. Os "gargantas de ouro" do Brasil.
Quando fui pra faculdade, era 1978 em Goiânia, levei comigo uma fita cassete somente com música deles. Foi difícil. Quase apanhei. Poucos anos depois foi inaugurada uma rádio que era cem por cento música sertaneja. Sucesso até hoje. Sucesso que começou com eles, certamente. Muitos dos que quase me bateram no início viviam ligados na sintonia da rádio. Depois veio o forró universitário e relaxaram com a música, comercializaram por demais.

O tal do quibebe

Sorvete de creme com chocolate de sobremesa. O almoço foi um quibebe em fogão de lenha caipira na casa da avó de minha esposa que estava da hora. Reunião de família, fiquei conhecendo a pequena Alice de apenas quaro meses que veio de Santa Vitória, a mais nova da família. Peguei-a no colo por alguns minutos, ela não chorou e ficou a me olhar de pescocinho virado pra cima como o Pedro fazia quando procurava o barulho da minha mastigação ao comer pão. A avó Erotides esteve internada ontem com princípio de pneumonia, mas foi pra casa ontem mesmo e já está bem melhor, pelo menos comeu quibebe pra caramba.

Um novo endereço

O locador chegou e disse:
- Precisamos do prédio para montar uma loja de roupas. Tivemos que fechar o nosso outro comércio e o ponto que temos para a loja é esse.
- Sim, então me deem um prazo para desocupar.
- Que prazo?
- Um ano.
- Não, um ano é muito.
- Seis meses então, até o final do ano.
- Tá bom.
- Preciso encontrar outro lugar, preparar, adequar, não é tão simples, estamos aqui há nove anos.
E assim ficaram. O locador foi embora e o locatário pego de surpresa ficou a pensar no inconveniente de tal mudança numa hora tão difícil em que a economia do país está praticamente parada e sem previsão de melhorias no curto prazo.
No outro dia o locador volta e diz:
- Mas eu preciso abrir a loja ainda esse ano, no final do ano.
- Já sei, então tenho que sair uns três meses antes.
- É!
- Já entendi, farei o possível. Emendou o locatário danado da vida por dentro das calças.
Imediatamente o locatário começou a procurar outro ponto folheando os classificados. Informou ao contador a novidade e foi alertado que para mudança no contrato social para o novo endereço as finanças fiscais precisam estar ajustadas. Caramba, mais essa, pensou com seus botões o locatário que ainda não encontrou o novo endereço.

Hebdomadário - isso é que é uma palavra feia

A semana que passou foi dura e não consegui ler nenhuma página do meu Urupês do Monteiro Lobato. O livro que ando lendo ultimamente que está marcado, em linguagem jurídica, como lido numa página do meio. Folheio todos os dias, há anos, o jornal Folha de São Paulo e alguns jornalecos locais. Jornalecos que exageram, todos eles, nas fotos e propagandas e divulgam muito pouco de útil.
Os jornais de minha cidade, um diário e três hebdomadários precisam de uma verdadeira recauchutagem, ou mesmo de um enxugamento, afinal são quatro jornais para uma cidade pequena como a nossa. É muito.

Dia dos Namorados

Sexta-feira, doze de junho, dia dos namorados. Ouço forró porque esse ela também gosta. Vi uma garrafa de vinho no canto da geladeira. A ocasião merece um brinde. O filho foi ao cinema assistir uns dinossauros. Aquele dente em tratamento não mais me incomoda e os telefones voltaram a funcionar. Muito romântico para um dia dos namorados. Jantamos, bebemos o vinho e rimos um bocado. Bom né!