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domingo, 15 de dezembro de 2013

Dia ruim

Sim, ela foi.
Foi com cara de quem não queria ter ido,
Mas foi.
Não levou nada de seu.
Mas foi assim mesmo.
Certamente teria sido melhor
se ela não tivesse ido.
Tava na cara que ela não ia dar o melhor de si.
E não deu mesmo.
Estragou o dia dos dois.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

ENTREVISTA COM O ESCRITOR JOSÉ JANUZZI (04/10/13)

ENTREVISTA COM O ESCRITOR JOSÉ JANUZZI
O Editor do Portal Cranik "Ademir Pascale" entrevista o escritor José Januzzi
(04/10/13)

ENTREVISTA:

Ademir Pascale: Como foi o início de José Januzzi no meio literário?

José Januzzi: A ideia de impressão por demanda da editora chamou minha atenção. Depois de me certificar que o orçamento cabia em meu bolso, agarrei a oportunidade e decidi publicar o primeiro livro “Alcaçuz e Anis” depois de várias tentativas frustradas com outras editoras.

Ademir Pascale: A profissão de Engenheiro Civil influencia em seus textos?

José Januzzi: Claro.

Ademir Pascale: Você lançou o livro "Alcaçuz e Anis", pela Biblioteca 24x7. Conte pra gente como foi escrever esse livro e o porquê do título.

José Januzzi: Os poemas foram filtrados algumas vezes até a situação em que foram publicados. Em todas as relações de títulos o último foi o “Alcaçuz e Anis”, por isso deu o nome ao livro.

Ademir Pascale: Poderia destacar um trecho de "Alcaçuz e Anis" especialmente para os nossos leitores?

José Januzzi: São 55 poemas distribuídos em 64 páginas. Curtos, portanto leves e fáceis de ler.

Começo com um pedaço do paraíso, ultrapasso algumas barreiras, com tenacidade conto um caso na telinha que mais parece um pandemônio, passo pelo carnaval com a alma vazia e num instante de ludismo, brilho na cor pois, aparece uma mulher que gosta de goiaba e não quer sair do meu papel, com harmonia tento conter a tentação maluca escrevendo com tinta preta em andanças e até pesadelos, sonho com um craque da bola, com reunião de cores, uma queda vista que não saiu do zero, lembro de uma perda, afogo as mágoas na boemia vendo paisagens murchas, acho defeito num conserto e vejo um colega do garimpo partir, ah!, décadas amargas, faço planos, passo por Boituva, vejo chapéus estranhos numa rodoviária, o tempo se fecha e logo após tenho um momento sublime ao ver uma vendedora morena que foi se chegando como num baile, que nada, de manhã, descobertas que não se confirmaram, quando dei por mim, já era horário de verão e olhando pela janela vi um craque da vila e uma morena que ocultava os mundos, procurei sossego, voltei para o sofá, peão da vida, fecha-pagode, vida-dura, lembrei das loiras e da chuva do caju que não veio, à noite dancei, condições humanas e com os caminhos fechados voltei ao carnaval com a Vila Isabel, depois, numa fração de minuto lembrei-me de casa e, sem o som de um berrante, contentei-me com um chicle de alcaçuz e anis.

Ademir Pascale: Como os interessados deverão proceder para adquirir um exemplar do seu livro, seja em e-book ou versão impressa?

José Januzzi:
http://biblioteca24horas.com
@josejanuzzi
alcacuzeanis24x7.blogspot.com.br
josejanuzzi.blogspot.com.br
Livraria Cultura: Clique aqui
Amazon: Clique aqui

Ademir Pascale: Existem novos projetos literários vindo por aí?

José Januzzi: Sim, alguns.

Perguntas Rápidas:

Um livro: Antologia Poética
Um(a) autor(a): Carlos Drumond de Andrade – Manuel Bandeira
Um ator ou atriz: Antônio Fagundes – Marília Pera
Um filme: Morangos Silvestres
Um dia especial: Hoje

Ademir Pascale: Deseja encerrar com mais algum comentário?

José Januzzi: Recomendo que leiam José Januzzi.
Curto, comento e compartilho, leiam: “Alcaçuz e Anis”.

CLIQUE SOBRE A IMAGEM PARA SABER MAIS

Alcaçuz e Anis - José Januzzi



© Cranik

*Você poderá adicionar essa entrevista em seu site, desde que insira os devidos créditos: Editor e Administrador do http://www.cranik.com : Ademir Pascale - ademir@cranik.com - www.twitter.com/ademirpascale
Entrevistado: José Januzzi

sábado, 25 de maio de 2013

A banca do bicho

Numa cadernetinha espiral e um pedaço de carbono já bem gasto o vendedor de jogo do bicho anotava as apostas. Os pagamentos recebidos, no final do expediente eram entregues na banca.
As apostas certas eram literalmente pagas no outro dia, questão de honra e sobrevivência.
Vez ou outra aparecia algum engraçadinho desconhecido que fazia uma aposta com valores mais altos que o normal da vizinhança. Quase todos jogavam somente uns trocados. Só que muitos trocados de muitos jogadores, vira um jogo sério quando se junta tudo na mão da banca. Parecia tudo tão natural que ele nem fazia ideia do que seria contravenção.
Faz um pulo de gato e cachorro, coloca tanto na cabeça do viado, joga tudo isso aqui no terno, esse aqui no pulo virado, tantos reais na centena do primeiro ao quinto, esse daqui nessa centena só na cabeça, hoje sonhei com minha sogra acho que vai dar borboleta, então joga na cobra, amanheci com a pá virada, vou dobrar a aposta no macaco... e muitas outras que ele ouvia por todos os dias. Era divertido.
Só o seu ganho é que era pouco.
Aquilo por dias e dias estava batendo em sua cabeça como um martelo. Caramba, afinal ele andava tanto, percorria ruas e ruas por todos os dias e no final recebia uma mixaria. Não estava certo.
Num belo dia, um forasteiro todo engomadinho, parecendo ter voltado de um garimpo, estava num bar falando alto e todo prosa chamando a atenção, ao vê-lo anotando apostas em outras mesas, disse-lhe que também queria fazer uma, prontamente atendido, colocou uma nota alta numa centena que era o final da placa do primeiro carro que o forasteiro viu estacionado de frente para o bar. Dito e feito, aposta registrada e entregue com várias testemunhas. Sujeito arrogante pensou o coitado do vendedor. Saiu dali e percorreu no restante do dia os lugares de sempre, registrou todas as apostas mas aquela aposta grande, daquele forasteiro engomadinho, ficou estrategicamente separada em seu bolso. Daquela vez, daquela única vez, ele nunca fizera nada parecido, a tentação foi maior do que seu medo em arriscar e sem medo de ser feliz, resolveu que aquela aposta ele não ia descarregar na banca, resolveu bancá-la sozinho.
E deu. A dita centena veio no primeiro prêmio, na cabeça. Se ferrou. Foi uma daquelas apostas de arrebentar a banca.
O infeliz do vendedor não mais foi visto por aquelas bandas.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

O Pedro e a pedra

O Pedro pegou uma pedra.
A pedra e o Pedro.
O Pedro e a pedra.
Pedro larga essa pedra!
O Pedro atirou a pedra
na vidraça do prédio.

domingo, 19 de maio de 2013

Perdão

Eu peço perdão.
Perdão por tudo aquilo que ainda não fui capaz de lhe dar.
Por trazer problemas do trabalho pra casa.
Por adiar por tantas vezes nossa ida à praia.
Por manter o carro na oficina e não conseguir trocá-lo por um novo.
Por não levá-la à missa aos domingos.
Por ter sido um imã dos problemas de minha família.
Por não conseguir sair do aluguel.
Por não manter a geladeira cheia.
Por não lhe dar aquele vestido azul,
aquele brinco de pérolas
e nem o sapato plataforma.
Por sonhar de mais e realizar de menos.
Eu peço perdão.
Mas não esmoreço.
Não me deixo levar pelas adversidades.
Somos felizes
e dou-lhe de coração
mais forte a cada dia
o que trago de melhor em mim.


quinta-feira, 16 de maio de 2013

Caça ao tatu

Estranho na cidade, ele estava por ali de passagem vendendo seus produtos como fazia uma vez a cada mês. Na última loja que visitou recebeu o convite para um jantar num sítio próximo. Era quinta-feira e todas as semanas, o lojista com alguns amigos se reuniam nesse dia para fazer um churrasquinho e colocar a proza em dia. Cada semana era na casa de um deles e além do churrasco e da bebida que todos colaboravam, o prato principal era surpresa e responsabilidade do dono da casa. Geralmente as mulheres não participavam. Naquele dia uma tia deles, já beirando os seus setenta anos, mas modernex, toda produzida, estava de namorado novo e queria apresentá-lo aos amigos. Foram. Tudo estava indo muito bem, o rapaz, alguns anos mais jovem que a dama, era muito simpático e conversa vai, conversa vem saiu o assunto sobre haver muito tatu por ali. O rapaz ficou entusiasmado e quis ir à caça. Ninguém deu-lhe bola. Depois de um final de expediente, todos cansados, se divertindo, tomando umas geladas, carninha assada no ponto, deixar tudo aquilo para sair às escuras pra caçar tatu? Para com isso!
Sobrou para o coitado do vendedor, único convidado fora do eixo ali presente como ele. Insistiu o que pode para que o acompanhasse, até que o vendedor, já estimulado por alguns goles, deixou a timidez de lado e não se aguentou: espera aí, você insiste para eu ir junto caçar tatu, vamos supor que eu concorde em deixar esse delicioso churrasco, essa prosa animada com os amigos, um jantar que está pra sair, e, que pelo cheiro deve estar uma delícia, essa cervejinha da hora, para ir contigo no escuro, num mato onde nunca estive caçar tatu. Vai que eu ainda encontro algum, o que que eu faço? Hora tenha santa paciência.

terça-feira, 14 de maio de 2013

De Servente a Empreendedor

O sujeito tinha o sangue quente. Por isso ele não parava em emprego nenhum. Já havia feito de tudo apesar de ainda jovem. Começou como servente de pedreiro, passou por diversos outros tipos de trabalhos e sempre voltava a ser servente de pedreiro toda vez que a coisa apertava. No último emprego o patrão reclamou porque ele chegou atrasado e aquilo foi a gota d'água. A bicicleta amanheceu com o pneu furado e ele teve que ir a pé pois não dava tempo de consertar e também a oficina só abria uma hora depois de sua entrada no serviço. Tentou se justificar o patrão ficou mais nervoso ainda e o jeito foi pedir demissão para não engrossar mais ainda o caldo. Perambulou por alguns dias batendo de obra em obra. Só não contava que àquela altura sua fama de estouradinho já se esparramara pelas obras. Quase sempre era algum funcionário que já trabalhava na obra que se lembrava dele e passava as coordenadas ao chefe que o mandava voltar de uma outra vez. Aquilo foi se tornando insuportável. De tanto bater de porta em porta e sempre dar com os burros n'água. Tomou uma decisão. Não mais trabalharia de peão de obra. Foi procurar outros ares. Vagou pelo centro da cidade atento às lojas abertas, aos transeuntes, aos vendedores ambulantes, a tudo. Aquilo durou alguns dias. Sem dinheiro, sem trabalho, já com o aluguel atrasado e devendo as refeições estava baixando um desespero. As refeições só não lhe foram cortadas porque a dona da pensão gostava dele. Dizia para continuarem porque ele sempre pagara, algumas vezes com atraso, mas sempre pagara e assim ela o bancou. Um dia, mais precisamente num final de semana, sentado num banco de praça, caiu a ficha, como num estalo, resolveu a também ser ambulante. Mas vender o quê? Pensou. E seguiu animado rumo à pensão matutando aquilo na cabeça. Não comentou com ninguém. De manhã, com a cabeça fresca, lembrou de um doce que aprendeu a fazer observando sua mãe e irmãs fazendo. Aquele tipo de doce não havia em lugar algum, não era vendido em bares ou lanchonetes. Era isso. Levantou decidido e pediu ajuda para a dona da pensão que prontamente se ofereceu para ajudá-lo no inicio. Fizeram. O doce foi um sucesso. Vendeu toda a bandeja em poucas horas no centro. Nem precisou andar muito. Com o dinheiro ganho, voltou pra pensão levando insumos para umas três quantidades da feita na primeira vez. Vendeu tudo de novo rapidinho. Aumentou os insumos novamente e uma bandeja já era pouco. A bicicleta já estava pequena para levar tudo, trocou por uma cargueira usada com garupeira que estava parada a dias naquela oficina do início. Providenciou umas caixas e com bandejas na frente a atrás na bicicleta passou a ser conhecido pelos comerciantes que já esperavam por aquela iguaria única. Sucesso total. Em algumas semanas já dava para pagar uma cozinheira para ajudar na preparação e embalagem. Não podia continuar daquele jeito improvisado. Conseguiu uma cômodo no centro onde era uma loja de bijuterias e estava fechado. Alugou direto com o dono que soubera do sucesso do doce. Não precisou documentos, bastava pagar em dia o aluguel. Providenciou imediatamente a instalação da cozinha tudo de acordo com as normas sanitárias que a simpática moça da prefeitura orientou. Nosso servente de obras não cabia em si de contente. Trabalhava de domingo a domingo, acordava de madrugada, preparava tudo, ajudava a fazer os doces e saia ele mesmo a vendê-los, depois conseguiu vendedores e espalhou o doce pela cidade. Abriu conta em banco, contratou mais funcionários. Uma de suas irmãs soube do sucesso e veio de mudança de outra cidade com um filho pequeno, o marido fora trabalhar noutra cidade e há seis meses não dava notícias. A coisa foi crescendo. A irmã assumiu a cozinha para surpresa dele, o filho era uma benção, um doce de criança. Uma empresa de granfinos o procurou sugerindo um marca ao doce e propondo assessoria, mal sabia ele o que era aquilo. Achou interessante. A irmã ficou ressabiada. Colocaram letreiro na loja, propaganda no rádio, no jornal e tudo mais. A coisa desandou. Ficou sabendo que uma empresa com mais estrutura havia lançado doce semelhante e produzia em série e mais barato que o dele e com embalagem mais trabalhada. Começou a perder alguns clientes, os primeiros foram os mercadinhos dos bairros, ele chegava e lá já estava o doce do concorrente. Durou pouco. Teve que fechar as portas para não piorar as coisas. Voltou a ser servente de obras. Só que na cidade que a irmã morava.