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sábado, 11 de maio de 2019

Hotel Triângulo

Foi no Hotel Triângulo que saboreei meu primeiro quibe assado com recheio de carne moída e queijo. Hum!!! Até lembro o gosto.
O Hotel ficava no centro, bem pertinho da igreja matriz.
Os viajantes hospedados nos finais de semana eram em sua maioria muito cordiais conosco crianças. Ganhávamos balas, bombons e outros mimos sempre vigiados por nossa zeloza tia.
Mesmo quando presa no quarto aplicando o laquê e dando uns retoques em seu corte de cabelo pigmaleão, ela nos seguia pelos nossos passos acelerados nos corredores e também pela voz. Vez ou outra gritava: não corram nos corredores; não incomodem os hóspedes; fulano! não deixe os meninos fazerem essa algazarra. O tal do fulano, era o sobrinho mais velho, coitada, ele era dos mais atentados e o único que morava no hotel.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

O Morro do Além

Por muitas vezes
a tia em que morei,
que com certeza
deve estar num bom lugar,
pedia para levá-la a passear.
Eu espichava a volta
até o Morro do Além.
A gente não tinha nada que fazer lá,
mas eu ia,
só porque era a vista mais bonita da cidade.

Tivica

Uma tia
fez um procedimento
em seu início
que não a deixou mais criar.
Ela ajudou a nos criar.
Um mal agressivo a levou.
Também deve estar num bom lugar.

Professor de engenharia

Tive um professor,
que não era professor,
mas que marcou.
Ele dizia que na vida
ou se é engenheiro,
ou empresário.
Misturar as duas coisas,
tem tudo para dar errado.
Devia tê-lo escutado.

Obra com poesia

Sou engenheiro.
Por toda a vida
quis fazer obras com poesia.
Até que funcionou.
Mais tarde, quando me senti
e me meti a fazer obra por conta,
deu merda.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Projeto, Controle, Regulagem e Potência

O Projeto, o Controle e o Regulagem eram três amigos e conheceram o Potência.

O Projeto começou a trabalhar como desenhista num escritório de engenharia e passava o dia debruçado numa prancheta detalhando desenhos de arquitetura em papel manteiga e papel vegetal com o auxílio de uma régua "T". Por sua dedicação e empenho fez fama cedo como bom desenhista de projetos. Pouco tempo depois, assim que concluiu o serviço militar obrigatório, veio a falecer num acidente de moto.

O Controle foi um exímio tratorista. Por muitos anos ele arou chão pelas fazendas da região, até que um dia, jovem ainda, sofreu um acidente vascular cerebral que lhe deixou sequelas e hoje arrasta uma das pernas. Vive do benefício que recebe da previdência por sua parcial invalidez e dos bicos que consegue fazer como jardineiro, profissão que veio a aprender depois.

Já o Regulagem, foi colocado por seus familiares, ainda em menino, numa oficina de retífica de motores, a título de favor e sem remuneração por um ano, até aprender a profissão e assim deixar as agruras que as ruas ofereciam para os meninos daquela idade. Tornou-se um bom mecânico e trabalhou por alguns anos até que um belo dia avisou que ia visitar uns parentes de longe, na divisa com a Bolívia e nunca mais deu notícias.

Em breve o Potência entra.