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domingo, 29 de setembro de 2019

As Travessuras de Tonhola - Martelo de borracha

Joacir que sempre aprontava alguma, aprontou de novo com o pobre do Tonhola.
Na loja que ele trabalhava havia chegado uma mercadoria embalada em caixas grandes de madeira.
Era preciso desembalar as mercadorias, sob os olhos atentos do gerente.
Enrolando para iniciar o serviço, Joacir viu quando Tonhola ia passando despreocupado e chamou-lhe.
- Tonhola estou cá enrolado pra abrir essas caixas, você me faz um favor?
O pobre do moleque nem teve tempo de responder.
- Tá vendo lá na ferragista, do outro lado da avenida. Corre lá e pede pra eles emprestarem o martelo de borracha. Diga que é rapidinho assim que terminar o serviço eu devolvo.
Tonhola pensou "martelo de borracha".
- O que seria aquilo?
Deixa estar. Como era o amigo Joacir que pedira, ele foi buscar o martelo sem questionar.
Na loja o pessoal o atendeu às gargalhadas.
Volte lá Tonhola que o Joacir está mangando de tu. Não existe martelo de borracha em ferragista.
(Naquela época não existia, hoje existe).

As Travessuras de Tonhola - O quibe do Galo de Ouro

Galo de Ouro era outro bar afamado da região, juntamente com o Columbia, o Quitandinha e o Gamela.
Mais voltado à vida noturna só era aberto no período da tarde.
Eles vendiam uns salgados assados deliciosos e um inesquecível quibe frito com ovo dentro que era o ó do borogodó.
Tonhola sempre que podia dava uma escapadinha para saborear um deles.

As Travessuras de Tondela - O dono do Bar Quitandinha

O dono do Bar Quitandinha era um senhor baixinho e gordo, mais barrigudo que gordo. Ele acabara de adquirir um carro zero na cor vermelha. Um fusquinha. O pobre homem dirigia com o queixo acima do volante e consequentemente a barriga roçando o mesmo.
Ele bebia e vez por outra exagerava.
Tonhola presenciou uma triste cena, engraçada para alguns.
Um dia no final do expediente o pobre coitado estava tão bêbado que teve dificuldades pra baixar a estreita porta de ferro de enrolar do seu bar. As chaves eram um calhamaço de um chaveiro com muitas chaves, entre elas, claro, estava a chave do carrinho novo.
Fechada a porta, ele primeiro se certificou, como de hábito, que a porta estava bem trancada dando uma forte sacudidela tentando abri-la e foi cambaleando para o carro do outro lado da avenida de duas pistas. Ele sempre estacionava ali para ter o carro ao alcance da vista.
Só que, justo daquela vez, para seu asar, estacionaram atrás outro fusca idêntico ao seu.
A chave não entrava.
Ele tentava e nada. Rodava aquele monte de chaves com as pontas dos dedos à altura do olho para se certificar que era a chave certa, tentava de novo, e nada de a chave entrar. Aquilo já estava lhe dando nos nervos, apesar da manguaça. Ninguém foi lá lhe dizer que ele não estava em condições de dirigir e também que o seu carro era o da frente. Preferiram ficar longe, rindo e zombando do pobre homem gordo e baixinho e bêbado. Entre eles o menino Tondela que também participava do encerramento do expediente comercial e adorava um mal feito.
O fecho da história deu-se quando um transeunte, que não tinha nada com a história, só estava passando por ali, ao perceber o homem naquela agonia, perguntou-lhe se não poderia ser o carro da frente. O baixinho olhou para o seu carro e ainda deu uma má resposta ao transeunte.
A plateia em delírio observava se ele conseguiria "vestir" o carro e sair dirigindo. O homem conseguiu e escafedeu-se dali com seu estado etílico sem maiores problemas.

sábado, 13 de julho de 2019

As Travessuras de Tonhola - Mão boba

Aconteceu numa brincadeira dançante.
Improvisaram uma boate numa residência que virou ponto de festa aos finais de semana. O bar ficava na cozinha e as bebidas eram servidas pela janela que dava para a varanda dos fundos.
Tonhola foi com o amigo Joacir, que por ser bem menor no tamanho e mais velho na idade tinha a preferência e ia à frente. Chegaram cedo, mas em pouco tempo a casa estava lotada e a música estava alta e os casais dançavam agarradinhos. Os solteiros perambulavam pra lá e pra cá e ou ficavam encostados nos cantos assistindo a dança e o esfrega esfrega sob aquela iluminação negra.
Numa das vezes que atravessaram a sala, Joacir, já mais alegre do que devia, dando uma de espertinho, meteu a mão na busanfa de uma menina que passava por eles. A reação da garota foi instantânea e violenta: ela virou-se ofendida, deu um grito de ódio e se deu de frente justamente com o pobre do Tonhola e não quis nem saber, meteu-lhe um tapa na cara daqueles, com a mão aberta que a sala ouviu e chegou até a interromper a dança por alguns segundos, depois foi imediatamente arrastada para outra sala pelas amigas. O coitado, boquiaberto, com a cara latejando, ficou plantado ali no meio da sala sendo observado, apanhou sem saber do que se tratava. O amigo, entre aspas, enfiou a cabeça entre os ombros, se afastou de fininho e se pôs a observar de longe.

As Travessuras de Tonhola - Um Garoto Afeminado

- Você viu como aquele menino tem um jeitinho assim?
- Repara só!
Disse Tonhola ao amigo ao ver o garoto ainda distante.

Ao se aproximar dos outros meninos o moleque ficava todo dengoso, retorcendo o corpo como se estivesse se coçando por dentro.
Era o jeitinho sim aboiolado.
- Como pode? O moleque ainda cheirava a fraldas.
Deve vir de berço.
O pai está desconfortável, mas, sem saber o que fazer fica meio que de olho no guri, que também não é bobo e já percebeu e o evita.
A mãe o enche de dengos e acha bonitinho o seu jeito de ser e o empolga.

sexta-feira, 12 de julho de 2019

As Travessuras de Tonhola - Tonhola e o Mar

A primeira vez que Tonhola viu o mar, por pouco não foi a única.
Como sabemos, ele até então, não sabia nadar.
Ele foi convidado por amigos a ir numa excursão escolar e foi de gaiato, depois de um carretel de recomendações da avó Dona Rica aos professores responsáveis pelo passeio e tudo na presença do neto, que, avexadíssimo ouvia os perrengues da avó sem nada poder fazer. Só olhava para os professores para que lhe tivessem pena.
Tiveram pena dele. O menino foi confirmado no passeio.
A viagem era longa, passaram a noite toda na estrada e amanheceram diante do mar.
Para a maioria dos alunos um deslumbramento por ser a primeira vez. Tonhola então, era um abestado só.
O ônibus passou pela avenida à beira-mar e estacionou a poucas quadras no hotel onde ficariam.
Mal lamberam o café da manhã e se mandaram para a praia e não estavam nem aí para os gritos dos preocupados professores.
O mar estava calmo naquela manhã.
O local era uma enseada.
Correram para o mar para molhar suas novas roupas de banho. Tonhola parecia um garimpeiro de Serra Pelada com aquele seu shortezinho apertado de nylon azul com duas fitas brancas verticais nas laterais.
E foram entrando mar adentro pois estava muito raso.
E a água deu na canela e foram entrando.
E a água deu na cintura e foram entrando.
E a água deu no peito e foram entrando mas a essa altura alguns começaram a ficar para trás.
Os outros foram entrando, os mais corajosos. Adivinhem se o Tonhola não era um deles?
E foram entrando.
Veio uma onda mais forte, já com a água no peito e a areia correu forte entre seus pés puxando para o mar adentro.
Mesmo assim ainda foram entrando, só alguns poucos.
E foram entrando.
A próxima onda que veio retirou-lhe a areia dos pés, não tinha mais onde pisar, putz que susto.
Tonhola tentou voltar mas não tinha onde pisar, ele dava pedaladas tentando encontra o fundo e nada, começou a baixar o desespero e veio outra onda e com ele solto na água a força da onda por um verdadeiro milagre o trouxe de volta até uma altura que seus pés alcançaram a areia.
Já em areia firme, refeito do susto, ele disfarçou bem, deu uma sacudidela no shortezinho apertado de nylon azul com duas fitas brancas verticais nas laterais e respirou fundo aliviado.
Tonhola ficou o resto do passeio com água só pelas canelas.

As Travessuras de Tonhola - Carne enlatada

Kitut. Esse era o nome da carne enlatada que tudo quanto era boteco vendia. É uma mistura de carne bovina, suína e de frango que podia ser comida ao natural, do jeito que vinha. A embalagem tinha um abridor anexado à lata que era só girar estava pronto para degustar.
Tonhola passou uns maus pedaços por causa do tal do Kitut.
Dona Rica tinha conta num armazém e as compras eram anotadas num caderninho espiral daqueles pequenos. Cada cliente tinha um.
Tonhola corre lá no armazém e busca isso, e busca aquilo, e busca aquilo outro por aí vai.
Cada buscada daquelas Tonhola acrescentava por sua conta e risco uma lata do tal do Kitut. Sua avó deixou? Perguntava o desconfiado dono do armazém, deixou sim, pode confiar, e anota um kitut e outro e outro e acabou acumulando aquilo e no final do mês quando Dona Rica foi acertar a conta quase teve um treco. Era muito Kitut. Tonhola vem cá seu moleque você me paga!