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sábado, 8 de dezembro de 2012

Livro Digital

Meus livros continuarão na estante. Os que tenho e os que ainda hei de adquirir. É preciso pegar o livro com a mão, demarcar as páginas com o marcador e seguir lendo. Sentido o físico. O peso do livro, a textura do papel. Leitura interrompida, o livro estará lá na estante aguardando para ser novamente manuseado e lido sempre que possível. Ao alcance da mão. Do toque. Do contato.

domingo, 11 de novembro de 2012

QUEEN

Assisto pela televisão um show do QUEEN. Apesar de minha esposa tentar dormir, quando tocam uma música que conheço ponho no máximo volume. Eles têm uma magia forte. Me faz lembrar coisas boas.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Meus dois irmãos

Colocamos flores no túmulo dos meus irmãos Wolne e Zezeca. Fomos eu e minha mãe. Ela fez uma limpeza em volta e juntou o lixo numa sacolinha plástica, não sem resmungar qualquer coisa baixinho porque lhe fora garantido que encontraria tudo limpo. Enquanto isso eu olhava meus irmãos lá, sérios em suas fotos fixas na lápide. Um amigo do Wolne passou e disse que não sabia que ele havia morrido. Ficamos um pouco ali, mudos, minha mãe observava tudo e do jeito dela se fazia de durona. Depois disse que o jazigo pode ser aumentado para cima porque nele só tem mais uma vaga. Ela ficou sabendo disso quando foi fixar a lápide do Wolne, foi também quando lhe prometeram sobre a limpeza no dia de finados. O Wolne morreu dia 13 de junho de 2012, portanto há menos de cinco meses. O Zezeca morreu em 16 de fevereiro de 2010. No mesmo jazigo também estão os restos mortais dos meus avós paternos. Saímos dali e fomos depositar flores no túmulo dos pais de minha mãe onde também fora sepultada a Tivica, minha tia Eternitiva Alan. Fiquei chateado ao ver a simplicidade do túmulo, sem nenhuma placa, nenhuma identificação. Minha mãe prometeu que vai cuidar disso coitada. Ela também disse que vai tentar transportar os restos mortais da tia Luzia, sua querida irmã, para junto dos pais. Ela foi sepultada no cemitério novo, o Parque da Saudade. Deve ser permitido, pensei. Foi a primeira vez que vi o túmulo de meus avós maternos. Foi a primeira vez que fui ao cemitério num dia de finados. Cemitério São José, um lugar a ser visitado, um lugar de paz. Voltarei outras vezes para rever meus dois irmãos, saudar seus semblantes, contar as novidades, ou mesmo somente bater um papo, o que pouco fiz quando ainda eram vivos. Meus dois irmãos... descansem em paz.

Puro Charme

Quero viajar. Não precisa ser para longe. Um riacho aqui do lado serve. Só preciso mudar de ares por um período. Que pode ser até curto. Não pretendo ir sozinho. A companhia quando é boa faz agradar o dia. Levarei minha família. Daqui uns tempos sabe-se lá se eles irão comigo. Estarei fora dos seus planos. Com os anos, naturalmente, vamos ficando menos agradáveis. Tento dar o melhor de mim, sempre. Espírito jovem e desarmado. Cabelos brancos é puro charme.

Fio da Meada

Perdi o fio da meada. Cortei as unhas. Saudei feliz minhas cadelas que agradeceram contorcendo o rabo. Será o benedito! Minha esposa fez frango, jantamos. Inicia-se um feriadão. Sem viagens. Meu time segue em derrotas. Um hipermercado se ergue onde estudei um dia e dizem inaugurá-lo ainda esse ano. A cidade ganhará. Ruas são embelezadas, praças melhor iluminadas, esquinas sinalizadas... à espera de novos viajores. Tento iniciar alguns apartamentos, o cliente decidirá. Um tio octogenário ficou três horas sobre a mira de um revólver. Resolveram tudo e ele saiu na televisão, que o assaltante exigiu presença. Espero que meu tio, passado o susto, fique bem. As primeiras máquinas de fabricar tecidos puxavam um fio que era colocado à mão.

sábado, 1 de setembro de 2012

Sábados

Os ventos de agosto se foram apesar de ainda ser agosto. Hoje é sábado, porque hoje é sábado. A semana foi dura, como tantas outras. A que vem promete ser melhor e assim sempre será. Lutamos por isso. Seguimos quebrando barreiras a cada tropeço. Aprendendo sempre, levantando e levantando cada vez mais, enquanto o corpo aguentar. Um tio foi operado da próstata. Outro teve a renovação da aposentadoria cadastrada no banco, prova de que continua vivo e com a assinatura impecável aos olhos do gerente. Cabelos cortados, visual rejuvenescido na silhueta. Peso, o mesmo de há dez anos, elogios do médico. Hoje a Véia estréia no Campeonato Mineiro da Terceira Divisão contra o Montes Claros. À noite, o Boa jogará contra o Bragantinho em Varginha pela Série B. Daqui a pouco o Vasco jogará contra o Fluminense no Engenhão, tentando se reabilitar depois de 6 rodadas sem vitórias. Retomo o texto uma semana depois. Sábado de setembro. A Véia empatou em 1x1 contra o Montes Claros. Uma boa estréia, um ponto fora de casa. Na quarta-feira pela segunda rodada bateu o Nacional de Uberaba em Coleto de Paula por 1x0 e assumiu a liderança da chave. Amanhã pegará o PAC Uberlândia também em Coleto de Paula. O Boa bateu o Bragantino por 3x0, depois perdeu para o Avaí na terça por 2x1 e ontem novamente perdeu para o Guarani por 2x1, dessa vez em Varginha. A lanterna do rebaixamento continua acesa porque os jogos no segundo turno tendem a ficar cada vez mais duros. O próximo compromisso será contra o Atlético do Paraná fora. Jogo duríssimo. Já o Vasco passa por uma fase negra. Perdeu para o Atlético Mineiro, empatou com o Coritiba por pura sorte, perdeu para o Flamengo, depois para o Fluminense e na quarta perdeu também para o Grêmio por 2x0 em Porto Alegre. Tá difícil. Muito mais difícil é assistir aos jogos do Vasco. O time está verdadeiramente ladeira abaixo. E olha que até a derrota para o Galo mineiro o time só tinha uma derrota para o Cruzeiro. Só que a estrela cruzmaltina é tão forte que o time ainda continua no G4 depois de tantos tropeços. Hoje de noite terá pela frente a Portuguesa em São Januário. Pode ser o jogo de mandar pra longe a má fase. Torçamos. E dá-lhes Vasco! Quem está chegando no G4 é o São Paulo que na quinta goleou o Botafogo por 4x0 e está com a quinta colocação. Aguardem. Hoje é aniversário do meu filho Pedro. 13 anos. Meu companheirão. Parabéns!

Minha cadela Vice

Chego em casa do trabalho no final do dia cansado e chamuscado de cimento. Minha cadela boxer Vice me recebe como sempre, toda contente querendo brincar. Acaricio sua cara e ela me umedece as mãos. O cansaço e o desânimo me impedem de retirar a guia pendurada no batente da porta, engatá-la na coleira nova e levá-la para um passeio na praça próxima. Nessa hora lembro do médico que me mandou caminhar mais. Bem que poderíamos aproveitar melhor o exemplo dos cães. Sempre de bem com a vida. Mesmo quando pela manhã eles apreensivos ficam a nos olhar com aqueles olhos tristes esperando pela ração. Basta um gesto e eles já ficam todos elétricos, serelepes. A Vice, se eu deixar, salta da minha altura e me beija o rosto. Fico meio de longe porque ela suja minha roupa e a patroa fica brava comigo. O pai da Vice, o Pretinho, de velho, teve que ser sacrificado depois de quase 15 anos aprontando, quando novo em casa na cidade, depois, na chácara com meus pais. Até a mim ele mordeu um dia, o maior estrago foi na coitada de minha mãe. Só faltava meu pai. Foi sua última mordida.