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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Mesa do Editor

Registro o cadastro anual no www.mesadoeditor.com

Lá estão dois trabalhos à vista de editores e agentes literários:

- "Lago Místico" - contos

- "Magnífico Azul" - poemas

sábado, 15 de outubro de 2011

Um dia dos bichos

O gato caminha solene,
para, vira e olha pra cima.
O cavalo imponente, pasta,
levanta o pescoço e olha do lado.
O porco não olha para lado nenhum,
fuça e se chafurda.
Um cachorro dá o alarme,
corre, late forte
e é seguido pelos outros,
pode ter visto algum rato.
Lá nos fundos as galinhas ciscam
e vigiam os pintinhos
que aprendem a ciscar,
outra galinha canta firme
avisando que acaba de botar
e vigia os ovos do esperto teiú.
Mais à frente um bando de galinhas
pula e foge assustado,
deve ser alguma cascavel.
No pasto ao lado os carneiros
em sombras de mangueiras
se empanturram com o capim
triturado e esparramado no cocho.
Uma família de micos aparece barulhenta
saltando pelos galhos,
desce pelo abacateiro
e vai direto à cerca do curral
saborear pedaços de bananas
ali deixados com carinho.
Um bando de araras barulhento
se acampa nos coqueiros altos.
Um casal de tucanos exuberantes
voa só para embelezar a paisagem.
Pássaros não são vistos nas árvores,
mas o canto sim,
é ouvido em sintonia.
As vacas vão chegando no tempo certo
para a ordenha e também
fazer a festa dos bezerros.
que aguardam amontoados
no piquete ao lado.
Durante a ordenha
tudo vai se acalmando.
É final do dia.

Testes

É um teste a cada dia.
Força.
Acho que ainda tenho
e entusiasmo nunca me faltou.
As crises duram,
mas passam.
A minha,
parece que durará por toda a vida.
Mas a vida segue
e me renovo a cada manhã.

Guanandi

A semente do guanandi
parece uma gabiroba.
Seu tronco é grosso
e a casca também,
por isso os índios
deram-lhe o nome jacareúba,
costas de jacaré,
na língua deles.
Sua madeira é de lei,
vira móveis, tetos, pisos
e até embarcações.
É essa a árvore da montanha
que deu um galho
e uma folha
e uma flor
e um ninho
e um ovo
e um pássaro
e uma pena
e uma pluma
ai, ai, ai que amor de pluma.
Ai, ai, ai que amor de árvore.
Salve a jacareúba.

Sem comentários

Sem comentários.
Tá bom se não quer comentar não comente.
Mas depois não vá se arrepender.
A vida é cheia de vai e voltas
e recado é recado.
Ah! E cavalo dado não se olha os dentes.
Onde será que enfiei meu grampeador.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Pudim do Wolne

Mãe o que vai nesse pudim? Vai leite condensado, vai leite de vaca, vai ovos, açúcar e água pra fazer a calda, mas o leite condensado tem que ser de latinha porque aquele de caixinha é mais ralo e fica muito mole o pudim. Agora entendo porque aqui nunca falta desse doce, é barato e o Wolne adora, cá pra nós, é muito bom mesmo, uma tentação que dá vontade de repetir sempre. Ontem a vasilha estava cheia e hoje com esse tantinho, sim mas não foi ele que comeu tudo não, teve visita aqui e eles comeram um pouco, ah sim. Quando faço uma dessas e fica só pra ele dura a semana toda na geladeira, o doce chega até a ficar mais duro por cima.

sábado, 1 de outubro de 2011

Chapéu Panamá

Um senhor aposentado com mais de oitenta anos saiu de casa naquele dia disposto a comprar um chapéu novo, porem não tinha dinheiro, mas foi assim mesmo confiando no seu talento, na loja fez brincadeiras com as atendentes e conquistou a simpatia delas, ele já era conhecido por ali, pois passava sempre por aquela avenida arrastando seu passo lento, a moça que o atendeu encheu o balcão com vários modelos, indicou com o dedo outros expostos numa estante de vidro, ele experimentou alguns e acabou ficando com um chapéu de palha tipo panamá, um modelo muito requisitado por sua beleza e durabilidade e saiu feliz pois conseguiu realizar o negócio com sua lábia e simpatia informando que um sobrinho seu que recebia e administrava o seu benefício efetuaria o pagamento, só foi procurar o sobrinho no outro dia pela manhã, com o chapéu na cabeça e todo cheio de razão: fiz um compromisso para tal dia e preciso de tantos dinheiros, mas como, baseado em quê o senhor foi fazer uma doideira dessas, ora, baseado no meu dinheiro, que dinheiro, será que o senhor até hoje ainda não entendeu que o seu benefício não dá nem para pagar a acompanhante que zela do senhor, que o restante venho pagando desde que o senhor voltou pra cá e agora o senhor ainda faz compras fiado contando com um dinheiro que não tem, e quem é esse doido que vendeu fiado para o senhor, o mesmo que vende pra você, mas só me faltava essa mesmo, eu não compro fiado em lugar nenhum então esse mesmo vendedor que não me vende fiado vai pagar essa conta, o senhor não entende a situação está difícil, é complicado, o dinheiro que entra mal dá para a comida e ainda estou arcando com as contas de água e luz e farmácia, não temos dinheiro para esses seus rompantes de arrogância, vê se toma tenência e não faça mais isso, e que loja foi essa, aquela onde era a filial da sapataria, sim sei, agora entra aí no carro que vou te levar em casa e o senhor veio a pé numa distância dessas, quer ir ao banheiro, um copo d’água, não, então vamos e porque o senhor está com essa roupa suja, é porque trabalhei, sim mas podia ter trocado e colocado pelo menos uma camisa limpa, deixa pra lá, e a chave da casa, tá no bolso, então vamos embora.

Obs: essa é uma obra de ficção, qualquer semelhança com fatos da realidade terá sido mera coincidência.