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sábado, 15 de outubro de 2011
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terça-feira, 4 de outubro de 2011
Pudim do Wolne
sábado, 1 de outubro de 2011
Chapéu Panamá
Um senhor aposentado com mais de oitenta anos saiu de casa naquele dia disposto a comprar um chapéu novo, porem não tinha dinheiro, mas foi assim mesmo confiando no seu talento, na loja fez brincadeiras com as atendentes e conquistou a simpatia delas, ele já era conhecido por ali, pois passava sempre por aquela avenida arrastando seu passo lento, a moça que o atendeu encheu o balcão com vários modelos, indicou com o dedo outros expostos numa estante de vidro, ele experimentou alguns e acabou ficando com um chapéu de palha tipo panamá, um modelo muito requisitado por sua beleza e durabilidade e saiu feliz pois conseguiu realizar o negócio com sua lábia e simpatia informando que um sobrinho seu que recebia e administrava o seu benefício efetuaria o pagamento, só foi procurar o sobrinho no outro dia pela manhã, com o chapéu na cabeça e todo cheio de razão: fiz um compromisso para tal dia e preciso de tantos dinheiros, mas como, baseado em quê o senhor foi fazer uma doideira dessas, ora, baseado no meu dinheiro, que dinheiro, será que o senhor até hoje ainda não entendeu que o seu benefício não dá nem para pagar a acompanhante que zela do senhor, que o restante venho pagando desde que o senhor voltou pra cá e agora o senhor ainda faz compras fiado contando com um dinheiro que não tem, e quem é esse doido que vendeu fiado para o senhor, o mesmo que vende pra você, mas só me faltava essa mesmo, eu não compro fiado em lugar nenhum então esse mesmo vendedor que não me vende fiado vai pagar essa conta, o senhor não entende a situação está difícil, é complicado, o dinheiro que entra mal dá para a comida e ainda estou arcando com as contas de água e luz e farmácia, não temos dinheiro para esses seus rompantes de arrogância, vê se toma tenência e não faça mais isso, e que loja foi essa, aquela onde era a filial da sapataria, sim sei, agora entra aí no carro que vou te levar em casa e o senhor veio a pé numa distância dessas, quer ir ao banheiro, um copo d’água, não, então vamos e porque o senhor está com essa roupa suja, é porque trabalhei, sim mas podia ter trocado e colocado pelo menos uma camisa limpa, deixa pra lá, e a chave da casa, tá no bolso, então vamos embora.
Obs: essa é uma obra de ficção, qualquer semelhança com fatos da realidade terá sido mera coincidência.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Caminhoneiro
Eu quero ser é motorista. Ninguém tirava aquilo da cabeça dele. O cara queria e pronto. Ainda que sua mãe desesperasse que seu pai fosse contra e seus irmãos nem se fala. Nada adiantava para tirar do sujeito aquela obsessão. Ele mal havia saído do seu dever de prestar contas com o serviço militar obrigatório e ainda sem completar os estudos como toda sua família queria, ele se virou sozinho e conseguiu se inscrever no curso para habilitação em veículos de carga.
O curso não era barato e seu pai, sem saída, deve que ajudá-lo, mesmo que a contra gosto. Habilitado, pôs-se à procura de emprego. Não foi muito tempo. Algumas empresas preferem motoristas mais jovens e acabou sendo contratado. No início as viagens eram curtas, voltava todos os dias para casa. Com o passar do tempo, foi se aperfeiçoando e conquistando a confiança dos patrões. Foi convidado para uma primeira viagem mais longa, uma semana na estrada. Não parou mais. Aquilo lhe era fascinante. Quanto mais longe, quanto mais lugares novos conhecia, mais ele se identificava com a profissão. Seu lar era a estrada.
Pra ele não tinha tempo ruim, estrada ruim, nada. Tinha fôlego para qualquer parada. Não enjeitava empreitada por pior que parecesse. Pra ele era tudo diversão e o possante era seu companheiro de guerra. Zelava do caminhão com capricho, até mais do que se fosse seu, exagerava.
Numa de suas viagens, seu coração balançou pela primeira vez por uma caboclinha do interior. Passou a ter preferência por um trecho de viagens e aquilo chamou a atenção dos patrões. Alguma coisa ele deve de ter arrumado por aquelas bandas, pensaram.
Noutra viagem, longe de casa e da caboclinha, envolveu-se numa confusão numa festa levado por outros motoristas brigões e acabou preso. A notícia chegou na empresa como uma bomba. Fulano está preso em tal lugar. Caminhão parado, carga atrasada, tudo errado. Gastos com um representante que teve que ir até o tal lugar para soltá-lo, mais despesas e dificuldades para soltá-lo, o desembolso foi maior que o esperado. Pouco adiantaram as explicações de que fora vítima. Teve o boletim carimbado pela primeira vez. Seus pais nada entenderam, confiavam no filho, afinal, não havia precedentes.
De volta, ficou muito chateado com a repreensão que tivera. Pensou pela primeira vez, com muita força, em ter seu próprio possante, pegar a caboclinha e fugir para um lugar distante. Mas não comentou com ninguém seus planos. Falava com a caboclinha todos os dias lhe dando esperanças e enchendo cada vez mais o coração de paixão.
Algum tempo depois, já tinha o dinheiro para a entrada de um caminhão usado. O restante daria conta de pagar com o trabalho do próprio caminhão. Não pensou duas vezes. A visão de viver com a caboclinha o cegava para outros assuntos menores. Pediu demissão na empresa, juntou o acerto com suas economias e comprou o dito. Seus pais quando viram o caminhão na porta de casa ficaram assustados. Deram apoio ao filho que no outro dia partiu cedo, vazio.
Não quis avisar a caboclinha, queria fazer surpresa. Chegando à cidade, o telefone dela não atendia. Procurou nos lugares onde a conheciam e ficou sabendo que ela havia ficado noiva no final de semana com um moço estudante da capital, colega de infância dela. Aquilo o matou um pouco. Não chegou a vê-la. A família sabia do namorico e tratou de escondê-la, estava proibida de sair de casa sem o acompanhamento de alguém.
Foi para um bar no final do dia e começou a beber para refrescar as ideias e tentar encontrar uma solução. Não acreditava que aquilo estivesse acontecendo. Por várias vezes tentou ligar para a caboclinha e nada. Tentou mandar recados e nada. Ele só sabia de uma coisa, não ia desistir assim tão fácil. Precisava vê-la, ouvir de sua própria boca que tudo tinha acabado que era tudo uma ilusão que aqueles telefonemas longos e adoráveis era um sonho bonito que tinha acabado.
Passou aquela noite na boleia do caminhão. Acordou com a cabeça cheia, zonzo. Deu por si. Pegou o celular, ainda tinha um pouco de carga na bateria, tentou ligar, tocou várias vezes até cair na caixa de mensagens e nada, outra vez e nada, e nada. Desistiu. Passou na porta da casa dela devagar. Seguiu viagem com o caminhão vazio rumo a lugar nenhum.