Seguidores

Total de visualizações de página

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O Chapa

Foram vários os empregos que ele passou. Trabalhador de serviços braçais é assim mesmo, vive mudando de emprego. Num deles. Uma obra de casas populares, estava tudo certinho, com carteira assinada e tudo, era bem relacionado e querido por todos, um sujeito divertido e trabalhador, muito forte fisicamente. Ele estava separado da esposa. Apreensivo. Ficara definido na justiça que ele teria que pagar tanto de seu salário mensalmente de pensão alimentícia dos filhos. Não era todo mês que ele dava conta do depósito e por isso dizia aos companheiros para o acobertarem em caso dos homens aparecerem para levá-lo. Naquela obra ele não chegou a ser recolhido.

A obra terminou, depois passou por vários trabalhos avulsos, inclusive alguns que fez na zona rural. Acabou trabalhando de “chapa” numa empresa de fertilizantes. Carga e descarga de caminhões. Durou algum tempo.

Com a estabilidade no trabalho, até voltou a conviver com a esposa e os filhos pequenos sobre o mesmo teto.

Tudo ia bem até que num dia de empolgação bebeu demais com os colegas num bar e chegou em casa com a cara cheia. A esposa brava, primeiro pela demora e depois de vê-lo, por causa da bebida, fez com que ele tivesse uma reação inesperada. Saiu de casa soltando fumaça pelas ventas, numa moto usada que havia acabado de comprar, envolveu-se num acidente com um carro e morreu na hora.

Pau-de-sebo

São as circunstâncias. Cada um faz o que pode Quem não pode se sacode e pede emprestado ao vizinho. Por isso boa vizinhança é sempre bem-vinda. Não adianta maltratar hoje, ser hostil, com quem poderá ser-lhe útil outro dia. As pessoas são assim mesmo, faz parte da natureza do ser humano. Quando se precisa de alguém, fazemos de um tudo por aquela pessoa, bajulamos até. Caso contrário, desdenhamos. Quer um exemplo: um sujeito todos os dias se sentava na escadaria da igreja para ver o movimento na praça e também arriscar achar algum caridoso que lhe atirasse alguma moeda no boné surrado esparramado no chão. Foi assim, um dia, por outro, por uma semana, até que o pároco se zangou e correu com ele dali. Tá certo que é a casa de Deus, mas abuso não pode. A maioria das igrejas de hoje estão cercadas por grades reforçadas. São protegidas a sete chaves as coisas de Deus. E o padre quis lá saber a religião do dito cujo. Estava incomodando e pronto, retirado, não incomoda mais e que vá incomodar em outro canto. E que assim seja em nome do Pai.

Vez ou outra vou à missa. Confesso que ando meio afastado.

Em época de quermesse a igreja fica movimentada. Os fiéis reaproximam, o leiloeiro engorda os cofres da paróquia com as prendas e oferendas. Além do leilão em festa religiosa também tem fartura de comidas e bebidas e brincadeiras as mais diversas, do coelhinho entre as casinhas em círculo, à pescaria de oferendas, a criançada adora. Tem também o correio elegante, as donzelas se aprontam para os rapazes e vice-versa. O padre comemora os ganhos no final de cada dia. Esse ano dará para seguir com a reforma da igreja, comemora entre os fiéis mais próximos. O conjunto musical da paróquia alegra as noites de festa, tá certo que não é lá essas coisas, mas acaba sendo melhor que som mecânico.

Festa da padroeira da cidade é uma festa tradicional que acontece todos os anos durante os ventos de agosto. No meu tempo tinha um tal de pau-de-cebo. Uma nota, geralmente a de maior valor em circulação era fixada no topo do pau, que era breado de sebo de vaca, por isso o nome, ficava todo escorregadio. O sujeito que conseguisse subir no pau até o topo pegava o dinheiro e ficava com ele. Era divertido, poucos tentavam, mas sempre algum espertinho conseguia e levava a grana sob os aplausos da platéia.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Justino, o bancário.

Justino abraçou a profissão de bancário por ironia do destino. Seu sonho era fazer medicina. Um dia, ainda cursava o secundário, surgiu um concurso para bancário e acabou sendo aprovado. Foi convidado a iniciar carreira numa cidadezinha do interior. Não teve escolha.
Lá ficando, formou família, casou-se com uma moça de família de políticos na região.
Além de política seus sogros também são fazendeiros, possuidores de uma pequena gleba que receberam de herança. Era uma família tradicional e faziam questão em manter os costumes e nisso nosso amigo não se enquadrava. Teve dificuldades para conseguir a aprovação do casamento por não ser do povoado. Fez inimigos também pois a moça tinha vários pretendentes. Deu de ombros.
Passados alguns anos, filhos foram nascendo e ele acabou aceito pela comunidade, agora Justino está para se aposentar. O que para muitos é uma alegria, para ele é um misto de alegria e pavor. Como sua única profissão na vida foi a de bancário, só em pensar no que fazer depois de aposentado, entra em desespero pois não sabe fazer outra coisa, ainda mais em se tratando da lida na roça. Coitado. Uma vida inteira ainda pela frente e já se sente um inútil.

Querer

Eu quero.
Quero aquele querer.
Livre.
Aberto e solidário.
Amigo.
Quero dividir também.
O mais que posso,
minha alegria,
meus sonhos,
meus planos.
Quero paz nos ombros às segundas pela manhã.
Quero seguir ligado
na simplicidade do nada.
Sendo.
Sendo lembrado,
amado, odiado... lido!

sábado, 13 de agosto de 2011

28 anos engenheirando.

Em 23 de agosto de 2011 completei 28 anos de formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Goiás.
Alguns metros quadrados ajudei a erguer nesses anos.
Passou rápido.
Hoje tenho 51 anos, um filho que vai completar 12 e uma esposa que amo a cada dia um pouco mais que envelhecemos juntos.
Tenho disposição para trabalhar o tempo que o destino me permitir ter forças para continuar de pé.
Construir é um prazer.
Construir com qualidade é um prazer maior ainda.
Quando se gosta do que faz o trabalho vira diversão.
Escrever é um enorme prazer.
Escrever com qualidade é um prazer maior que enorme e isso só é possível quando se eterniza aquilo que escrevemos.
Escrever é pura diversão!

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Assalto à Loja Xavier

A Loja Xavier foi assaltada.
Arrombada pelos fundos,
como das outras vezes.
Levaram aparelhos telefônicos,
mais de cem
e outras bugingangas.
É muito risco.
Parece tão pouco
o fruto do furto.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Tio Silvio no sítio

Querido Tio Silvio, quero parabenizá-lo por sua "aposentadoria". Agora de dedicação exclusiva ao sítio.
Não preciso dizer isso mas conte sempre conosco.
Estaremos aí qualquer fim de semana desses par desfrutar da paz e beleza do seu sítio, principalmente do meu cantinho preferido, o redódromo. Dessa vez levaremos meus pais.
Estou vendo que as coisas por aí andam caminhando para em breve a família estar toda reunida em Uberlândia e fico imaginando a Tia Maria Inez a correr atrás das netas.
Um abraço forte a todos e saudações Vascaínas e Bovêtas.